Entrevista com a equipe do site AlôArtista

Postado em 26 de outubro de 2010 por Cooperativa Cultural Brasileira


Por Giorgio Rocha

Um espaço diferenciado para promover a arte e uma plataforma com diversos serviços criados para facilitar a vida dos artistas. Este e o site AlôArtista, o novo parceiro da Cooperativa Cultural Brasileira. Leia abaixo a entrevista realizada com a equipe AlôArtista e conheça um pouco do trabalho desenvolvido pelo site.

Legenda foto - Da esquerda para direita: em pé: Leandro Martins, Henry Ho e Fernando Durão. Sentados: Demma K, Pierre M. Villard, Wanice Ferry e Jotta Santana.

CCB: Quando foi criado o site Alôartista, qual é a proposta da plataforma e os seus objetivos?

O AlôArtista foi criado em março desse ano, e nasceu do desejo de oferecer apoio a toda a classe artística, tanto no sentido de expor seus trabalhos para negócios e contratações, quanto para que houvesse um "ponto de encontro" abrangente, onde suas expectativas de parcerias, intercâmbios, esclarecimentos e troca de ideias fossem atendidas. Da mesma forma, oferecer ao grande público acesso facilitado às atividades dos artistas, e finalmente permear todos esses focos com conteúdo cultural diferenciado, onde além de matérias e colunas, as pessoas terão o site como referência para listas e guias culturais do Brasil e futuramente de outros países.

CCB: Como o Alôartista se diferencia de outros sites voltados para os artistas?

O AlôArtista tem o projeto ambicioso de ser referência como um site de prestação de serviços do meio artístico. Não só oferecendo espaço e promovendo os trabalhos e atividades dos artistas, como também dando suporte para contratações, espaço para fóruns e reclamações, informações diferenciadas para parcerias, intercâmbios, festivais, registros e direitos autorais, colunas de performance, além do mercado aberto, onde é possível realizar uma série de negócios como cursos, vendas e trocas, dentre outros.

CCB: O site parece bem inserido no conceito de Web 2.0. Que ferramentas os usuários têm a sua disposição para gerar e compartilhar informações?

Como o AlôArtista tem um objetivo inédito, estamos captando todas as necessidades e interesses, tanto dos artistas quanto do público em geral, e aperfeiçoando os espaços e ferramentas de busca, para que até o final de 2010 todas as novidades estejam no ar.

Além dos acessos já existentes, como o Guia de busca de artistas, o Mercado Aberto, Aulas e Cursos, Eventos, Parcerias e Intercâmbios, Espaço APAP, estamos desenvolvendo também novidades como o espaço Boca no Trombone, que permitirá ao artista desabafar sobre problemas ocorridos em espaços, teatros e casas noturnas, ainda uma coluna de categorias de artistas e atividades relacionadas, otimizando e tornando ainda mais prática qualquer busca no site, tópico de esclarecimentos sobre registros e direitos autorais, além de uma nova página - Roteiro Cultural - com informações diferenciadas de agenda de shows, listas e guias culturais, festivais do Brasil e de outros países.

Na parte cultural, ênfase para o Destaque Alô - entrevista com um artista cadastrado, Mix Cultural, novas colunas com conteúdos exclusivos, como "Performance", "Cultura Pop", "Sulfúrico", "Clássicos", "Vitrola do Adolar", "Sebo do Jotta" além de prêmios especiais e sorteios semanais para todos os cadastrados.

CCB: A CCB e o Alôartista fecharam uma parceria, para os cooperados quais são os benefícios desta parceria?

A CCB e o ALÔARTISTA se complementam por ambos oferecerem suporte aos artistas, tanto para melhorarem seus expertises, quanto para ampliarem seu networking, ambas necessidades fundamentais quando tratamos de um mercado extremamente concorrente.

CCB: Obrigado pela entrevista e fiquem à vontade para deixar uma mensagem convidando os cooperados a conhecer o site.

Agradecemos a oportunidade de apresentar o conceito e objetivos do AlôArtista. Reforçamos que este é um espaço de encontro entre artistas, assim como artistas e o grande público. E procuramos oferecer serviços e cultura geral para todos os públicos que possuem interesse em arte na sua forma mais abrangente. Quem conhece o AlôArtista, sabe que nossa meta é fazer com que quem ama a arte, sinta que agora existe um espaço especial, que busca a cada dia descobrir o que o mercado quer saber, do que precisam, e do que realmente vão gostar. Visitem nosso site e sintam-se em casa!

Visite o AlôArtista: http://www.aloartista.com/default.asp

Será que a Bienal se tornou um parque de diversões?

Postado em por Cooperativa Cultural Brasileira


Por Giorgio Rocha

A indagação do título da postagem foi feita pelo cooperado Guillermo Von Plocki, durante a entrevista para o blog da CCB. Guillermo é artista plástico e designer gráfico, nasceu na Argentina e, na Alemanha, se graduou em Ilustração e Design Gráfico. Radicado em São Paulo, já teve sua obra exposta em diversos países.

*Imagem da postagem:Vera 2 - Guillermo von Plocki- Aquarela – 2008

CCB: Até o dia 12 de dezembro acontece a 29ª Bienal de São Paulo. Quais são as suas impressões sobre a edição deste ano?

Guillermo: Realmente não fiquei decepcionado, já conheço a proposta, mas senti muita falta da pintura, a boa pintura contemporânea. Será que a Bienal eliminou a pintura?

Por outro lado, são resgatáveis as obras de Gil Vicente (que, enfim, não foi censurado), de Nuno Ramos e seus pássaros exilados, de Flavio de Carvalho e Goeldi, poucos ou pálidos reflexos da decadência que assola nossa sociedade cultural. Será que a Bienal se tornou um parque de diversões? Além disso, o pichador é artista?

Sempre vejo tudo com otimismo e acredito que tudo sempre pode ficar melhor. E, se a Bienal não foi tão boa, às vezes é necessária uma crise para mudar.

CCB:Você acredita que foi um acerto da Bienal tratar a relação entre a arte e a política?

Guillermo: Será necessário propor uma temática para as Bienais? Será que não seria mais interessante respeitar as inquietações de cada artista?

CCB: Houve uma tentativa de censurar os desenhos do artista Gil Vicente, na série “Inimigos” ele aparece assassinando diversas personalidades. Falta um debate no Brasil sobre arte e liberdade de expressão como houve nos EUA, nos anos 80, por causa das imagens do fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe?

Guillermo: A sociedade escandaliza-se com imagens de políticos sendo assassinados, quando no Brasil morrem muitas crianças de fome, ou pela violência, pelas drogas. Acredito que a arte e a educação podem trazer alguma luz a partir da base da educação. O Brasil tem um potencial humano extraordinário que precisa ser cultivado e adubado nos princípios da sociedade.

CCB: Você nasceu em Córdoba, na Argentina, se graduou na Alemanha em Ilustração e Design Gráfico e, escolheu o Brasil para viver e trabalhar. Como as particularidades dos três países interagem na sua obra?

Guillermo: Em alguns casos, eu diria que estas particularidades são essenciais para o desenvolvimento de algumas obras, como no trabalho Sem retorno. Trata-se de um corpo dividido em três partes, os pés representam Argentina, meus fundamentos, minha infância e educação elementar; a cabeça representa a profissão e experiência na Alemanha; finalmente, a parte visceral – o centro, o ponto de equilíbrio – que representa o Brasil.

CCB: Suas pinturas, desenhos e aquarelas pedem um olhar atencioso e revelam diversas camadas e parecem lidar também com a questão de um olhar cada vez mais fragmentado das pessoas em relação aos objetos. É correta esta afirmação sobre o seu trabalho?

Guillermo: Talvez não tenha muita consciência disso, por esta razão é bom que o trabalho seja visto. O olhar do público sempre trará outros pontos de vista, isto enriquece o trabalho.

As camadas fazem parte da técnica e também do que pretendo evidenciar.

No caso específico da trilogia 64, 73 e 82 dpi trata-se justamente da fragmentação da sociedade, entre outros motivos, pelo consumismo e pelo tempo perdido em função do computador.

CCB: Em seu atelier são ministrados cursos e oficinas. Fale sobre estas atividades.

Guillermo: Arte e interação da cor, baseado nos conceitos e nas teorias das cores de professores da escola Bauhaus alemã.

Aquarela experimental, proposta que relaciona esta técnica com outras técnicas, como o guache, o nanquim, a cera, além de outros meios relacionados com a aquarela.

Também dou orientação e suporte para artistas formados ou em processo.

Estes cursos são ministrados no Atelier de Sílvia Alves para o curso da cor, curso este que foi ministrado também no SESC Pompéia no primeiro semestre de 2010, também previsto para 2011.

Conheça mais sobre o cooperado Guillermo Von Plocki:

http://www.guillermovonplocki.com/site/

http://www.flickr.com/photos/12300457@N05/

http://www.plockiaquarelas.blogspot.com/

http://pt-br.facebook.com/people/Guillermo-von-Plocki/100000034465582

Coisas que só o cinema consegue fazer

Postado em 25 de outubro de 2010 por Cooperativa Cultural Brasileira


Por Giorgio Rocha

12 mil pessoas acompanharam uma exibição de Metropolis, ontem, no Parque do Ibirapuera. A sessão a céu aberto, com direito a regência ao vivo da Orquestra Jazz Sinfônica, fez parte da programação da 34ª Mostra Internacional de Cinema.

O filme clássico, de 1927, do cineasta austríaco Fritz Lang, dispensa qualquer tipo de apresentação. Não conhece, clique aqui.

Os que foram ao parque assistiram uma versão restaurada e com o acréscimo de 25 minutos de cenas inéditas. As novas cenas vieram de rolos perdidos encontrados na Argentina.

Como o filme retrata o futuro da humanidade, me atrevo a imaginar um futuro em que a as salas de cinema conseguiram finalmente se libertar da opressão dos shopping centers e da crueldade dos seus ambientes multiplex. Um futuro em que o cinema é um experiência coletiva significativa e não um experiência babaca, para alguns poucos poderem comer uma refeição acompanhada de uma taça de vinho, por “módicos” 200 reais, sem se importar com o filme exibido na tela.

Os 12 mil que estavam ontem na sessão foram ao cinema e, não, simplesmente, estiveram no cinema. Uma experiência coletiva assim é cada vez mais rara. Infelizmente.

Mudando um pouco uma frase célebre do filme Metropolis : O mediador entre o público e os filmes deve ser a sala de cinema! Ontem, a projeção feita na parede do Auditório Ibirapuera se transformou em uma verdadeira sala de cinema.

Veja aqui a programação da 34ª Mostra Internacional de Cinema.

Quem não gosta de arte bom sujeito não é, diz cineasta Domingos Oliveira

Postado em por Cooperativa Cultural Brasileira

Paulistas não vão a teatros e cinemas por falta de interesse, revela pesquisa

Desta vez, os entrevistados não tergiversaram. Questionados sobre as razões que os deixam do lado de fora de cinemas, teatros e museus, os paulistas miraram, em bloco, uma resposta capaz de embaralhar algumas teses sobre o consumo cultural.

Os números reforçam, primeiro, o que se intuía: 40% dos paulistas não costumam ir ao cinema, 60% não costumam ir ao teatro e 61% não costumam ir a museus. O que chama a atenção é a justificativa para a inércia: "Não me interesso/ não gosto/ não me sinto bem fazendo", respondem os entrevistados.

No caso do cinema, enquanto 29% alegam falta de interesse, apenas 8% citam o preço do ingresso como empecilho. A piadinha "Vá ao teatro, mas não me chame" também ganhou torneado estatístico: 32% dizem não ver peças, simplesmente, porque não têm vontade.

A pesquisa é fruto de projeto da consultora J.Leiva Cultura & Esporte, realizado em parceria com o Datafolha e a Fundação Getúlio Vargas. Foram ouvidas, entre 25/8 e 15/9, 2.400 pessoas, acima de 12 anos, em 82 cidades.

O objetivo da pesquisa era mapear e compreender os hábitos culturais da população. Os resultados serão apresentados e analisados amanhã, durante um seminário na Pinacoteca --com vagas já esgotadas.

BEABÁ

"O que surpreende é o fato de essa resposta aparecer. A pressão por ser culto, consumir cultura é tão grande que, em geral, as pessoas dão desculpas como falta de tempo ou dinheiro", diz Teixeira Coelho, curador do Masp e professor da USP.

"Isso aponta para uma certa sinceridade", observa Teixeira Coelho. "Mas a gente também sabe, por pesquisas internacionais, que, à medida que melhora o nível econômico, melhora o consumo cultural. É claro que o fator econômico pesa, até porque, na cultura, o hábito é fundamental. Falta oportunidade para que as pessoas tenham a cultura introduzida em suas vidas."

O diretor Antonio Araújo, do Teatro da Vertigem, pondera que consumir cultura é abrir-se a uma experiência. "Quem nunca foi exposto a uma ópera pode ter raiva dessa experiência. Voltamos sempre à questão da formação de público", diz Araújo.

O cineasta Domingos Oliveira recorre aos adjetivos "estonteante e deprimente" para falar da pesquisa. Como todos os ouvidos para esta reportagem, ele desvia os olhos dos palcos para as escolas.

"Precisamos cuidar desse um terço [que consome regularmente cultura], porque quem não gosta de arte bom sujeito não é. A doença em geral é a falta de educação", diz Oliveira. "O contato com as artes deveria ser obrigatório no ensino primário."

Paradoxalmente, os "desinteressados" dizem que gostariam de gostar de cultura. Os entrevistados que custam a tirar o pé de casa para consumir cultura dizem ter gosto por "realizar atividades culturais". O "sim", nesse quesito, teve índice de 68%.

Por ANA PAULA SOUSA - DE SÃO PAULO